A coordenadora do SOS AgroRS, Graziele de Camargo, repercutiu, em entrevista à Rádio Tupã, a resolução que prorrogou a suspensão das regras que condicionavam a concessão de crédito rural a dados do sistema PRODES/INPE e da lista do Ministério do Meio Ambiente (MMA), relacionados ao desmatamento.
Em deslocamento por Brasília, Graziele detalhou a mobilização do movimento e as tratativas junto a órgãos federais:
“O Rio Grande do Sul hoje aparece em primeiro lugar na lista de propriedades embargadas, por conta do sistema de monitoramento de desmatamento, o PRODES.
Diante disso, nós trouxemos essa pauta para Brasília. Já tivemos reunião e ainda temos agenda no Ministério da Agricultura e também com o INPE, que é o órgão responsável pelo monitoramento ambiental.
O nosso principal argumento, Miguel, é claro: o problema do Rio Grande do Sul não é desmatamento — é enchente.
Ontem, inclusive, completamos dois anos da criação do movimento, e esse tem sido um dos principais pontos que estamos levando: mostrar que o que aconteceu no estado foi uma tragédia ambiental, uma calamidade natural, e não uma ação de desmatamento por parte dos produtores.
O estado foi duramente atingido, devastado por eventos climáticos extremos.
E, nesse sentido, é importante destacar o trabalho da Farsul, junto com o Governo do Estado e a CNA, que atuaram para buscar uma solução. Inclusive, já havia uma ação junto ao STF para tentar derrubar ou suspender essas medidas.
O que foi conseguido, até o momento, é a suspensão, até o final do ano, das resoluções do Conselho Monetário Nacional que estavam travando o crédito rural.
Porque, na prática, essas medidas estavam impedindo o produtor de acessar financiamento e, mais do que isso, acabavam criminalizando quem produz — o que não condiz com a realidade vivida no nosso estado.” (Graziele 1)
Graziele também fez críticas à Secretaria Nacional do Meio Ambiente, apontando o órgão como um dos principais entraves nas discussões.
Ainda em Brasília, o Projeto de Lei (PL) 5122/2023 deve avançar nos próximos dias. A proposta, de autoria do deputado Domingos Neto, prevê a renegociação e securitização de dívidas de produtores rurais — incluindo agricultores, pecuaristas e pescadores — que enfrentam dificuldades após frustrações de safra.
O projeto já foi aprovado na Câmara dos Deputados e segue para análise no Senado, com forte mobilização do setor para aprovação definitiva em 2026.
Fernanda, colaboradora do movimento SOS AgroRS, que recentemente completou dois anos de atuação, também destacou a importância das pautas em discussão:
“Levar conhecimento é fundamental para reforçar um ponto importante: hoje existem dois projetos de lei em andamento que tratam diretamente dessa questão.
A gente tem a expectativa de que ainda hoje haja algum avanço no PL 5122, que é essencial para a prorrogação das dívidas dos produtores.
Além disso, também foram protocolados outros dois projetos de lei — um do deputado Sanderson e outro da deputada Any Ortiz — que buscam trazer mais segurança nos financiamentos, principalmente em casos de eventos climáticos.
Essas são pautas muito importantes e que, nos próximos dias, a gente vai precisar divulgar ainda mais e pedir o apoio de todos, porque tratam da segurança jurídica para o futuro das atividades do produtor rural e dos contratos financeiros que envolvem o setor.
O apoio do município de Tupanciretã já foi dado, através da Câmara de Vereadores.
Agora, o que a gente precisa é que esses projetos avancem. E quem conhece Brasília sabe: muitas vezes, isso só acontece com pressão e mobilização.” (Fernanda 1)
No início da tarde, o SOS AGRO RS obteve uma resposta positiva, aonde Graziele confirma:
“Estou saindo agora do Senado com uma atualização importante sobre o PL 5122.
O relatório já foi aprovado, o que é um passo muito significativo. Porém, foi solicitado um pedido de vista, então a votação final ficou para a próxima semana.
Agora, a expectativa é que, na terça-feira que vem, a gente esteja novamente aqui em Brasília acompanhando essa pauta e, se Deus quiser, com a aprovação definitiva do nosso projeto.
Seguimos firmes, acompanhando de perto e trabalhando para que isso avance.” (Graziele 2)
A entrevista completa está disponível nas plataformas digitais da Rádio Tupã.
Matéria atualizada 14 horas - 13/05/2026
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