Celebrado anualmente em 17 de junho, o Dia Mundial de Combate à Desertificação e à Seca reforça a importância de discutir práticas sustentáveis de uso do solo e a preservação dos recursos naturais.
Em entrevista à Rádio Tupã, Almir Rebelo de Oliveira, engenheiro agrônomo, presidente do Clube Amigos da Terra e representante da Aprosoja, destacou a relevância do tema e o papel estratégico desempenhado pelos produtores rurais na conservação ambiental.
"Esse é um tema muito relevante, especialmente porque o produtor rural é quem mais convive com a possibilidade de ver sua lavoura prosperar ou, em situações extremas, sofrer processos de degradação e até de desertificação.
Nos estudos que realizamos, a primeira etapa foi analisar quais são os maiores problemas ambientais da humanidade. Entre eles, destacam-se a fome e as doenças causadas pela água contaminada.
A fome continua sendo um dos maiores desafios globais, e as doenças relacionadas à falta de saneamento e ao consumo de água poluída também representam um grave problema de saúde pública.
Nesse contexto, percebemos que o produtor rural desempenha um papel fundamental no enfrentamento dessas questões. A fome é combatida por meio da produção de alimentos, e a preservação dos recursos hídricos está diretamente ligada às práticas adotadas no campo.
O Brasil possui uma posição estratégica nesse cenário. O país concentra cerca de 13% da água doce disponível no planeta e é um dos maiores produtores de alimentos do mundo. Ao mesmo tempo, está frequentemente no centro dos debates sobre questões ambientais.
Por isso, é fundamental reconhecer a importância do produtor rural, que tem um papel decisivo tanto na produção de alimentos quanto na conservação dos recursos naturais.
Quando começamos a estudar os processos de desertificação, identificamos que um dos principais fatores de degradação do solo estava relacionado ao modelo de cultivo convencional, baseado em práticas como aração e gradagem intensivas.
Também observamos que o Brasil apresenta um regime de chuvas bastante irregular, com variações significativas de intensidade entre as regiões. Em áreas com maior declividade, essa combinação pode favorecer a erosão do solo, comprometendo sua fertilidade e aumentando os riscos de degradação ambiental.
Esses estudos reforçam a necessidade de adotar práticas agrícolas sustentáveis, capazes de preservar o solo, conservar a água e garantir a produção de alimentos de forma equilibrada e responsável." (Almir 1)
Almir também destacou que, na mesma data, é celebrado o Dia do Gestor Ambiental e defendeu que o produtor rural desempenha papel fundamental na gestão dos recursos naturais.
"Atualmente, existem milhares de normas e regulamentações ambientais que impactam diretamente a atividade rural. Na visão de muitos produtores, esse conjunto extenso e complexo de regras acaba gerando insegurança jurídica e a sensação de que o agricultor é tratado, de forma equivocada, como um potencial infrator ambiental.
No entanto, é importante destacar que o produtor rural não se considera um criminoso ambiental. Pelo contrário, muitos defendem que o agricultor brasileiro desempenha um papel fundamental na preservação do solo, da água e dos recursos naturais.
A percepção do setor é de que o trabalho realizado no campo precisa ser mais reconhecido e valorizado. Os produtores argumentam que são eles os principais responsáveis pela conservação de áreas de preservação permanente, reservas legais e pelo uso sustentável dos recursos naturais em suas propriedades.
Segundo representantes do setor, a grande quantidade de normas e exigências pode dificultar a compreensão e o cumprimento integral da legislação, fazendo com que, em uma eventual fiscalização, sejam identificadas irregularidades muitas vezes relacionadas à complexidade das regras, e não necessariamente a práticas intencionais de degradação ambiental.
O Brasil é frequentemente apontado como um dos países que possui uma das legislações ambientais mais abrangentes e rigorosas do mundo. Para parte do setor produtivo, no entanto, esse cenário também impõe desafios significativos, especialmente no que diz respeito à simplificação das normas, à segurança jurídica e ao reconhecimento do papel do produtor rural na conservação ambiental.
Diante desse contexto, o debate proposto busca justamente avaliar o que efetivamente caracteriza um crime ambiental, analisar como a legislação é aplicada na prática e discutir formas de conciliar preservação ambiental, produção de alimentos e valorização do trabalho desenvolvido no campo." (Almir 2)
O engenheiro agrônomo ressaltou ainda a importância de ampliar o debate sobre desertificação, conservação do solo e sustentabilidade, destacando que estudos sobre o tema vêm sendo desenvolvidos e apresentados à sociedade e às autoridades.
A entrevista completa está disponível nas plataformas digitais da Rádio Tupã.
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