O coletivo dos Corredores de Rua de Tupanciretã promoveu, na quinta-feira (24), na Praça Pedro Osório, nas proximidades da Câmara de Vereadores, o evento de integração “Não Corra Sozinho”, alusivo ao Setembro Amarelo, mês dedicado à conscientização e à prevenção do suicídio.
A iniciativa nasceu entre os corredores de rua do município, mas foi aberta a toda a comunidade. A proposta foi reunir pessoas que correm, caminham ou simplesmente encontram no esporte uma forma de bem-estar, destacando a importância da convivência, da escuta e do apoio entre as pessoas.
O encontro contou com a participação da psicóloga Marcella Seixas Netto, especialista em intervenção em crise e prevenção do suicídio, que contribuiu com informações e reflexões sobre saúde mental, cuidado e a importância de buscar ajuda.
O evento também contou com uma transmissão ao vivo. Durante um trecho da palestra, Marcella destacou a importância de olhar para a vida e para as possibilidades de ressignificação das dificuldades, além de reforçar a necessidade de procurar ajuda diante de sinais de sofrimento.
“Eu acredito que a prevenção ao suicídio é mais sobre enxergar como levar a vida, sabe? E não a gente falar em quem, infelizmente, tomou essa decisão, porque acontecem inúmeros casos, por inúmeros motivos. E essas pessoas não devem ser julgadas. Mas a gente tem que aprender a olhar para elas, para esses casos, com respeito, porque elas não conseguiram ter a chance que a gente está tendo de ressignificar nossas dores, né? Muitas vezes, a gente não tem a chance.
Então, assim: peçam ajuda. ‘Ai, estou com ansiedade.’ Aí, supernormal. ‘Não estou dormindo.’ Não é normal não dormir, não é normal. Não é natural. Existe um padrão de sono de oito horas. Eu não consigo ter? Tudo bem, mas dormir é sagrado, dormir é fundamental.
Não dormir, os sintomas disso... Não dormir é um sintoma. Alguma coisa ali não está bem. Pode ser emocional, pode ser fisicamente também, né? Mas alguma coisa não está funcionando bem.
Então, assim, ó: vejam lá, vocês que estão no meio do esporte. Olha o quanto... Quantos de vocês o esporte não deu um up na vida, né? Quantos de vocês não encontraram no esporte a leveza que faltava no dia a dia, o silêncio da mente?
Correr sozinho, né? Aí eu penso... A sensação, quando eu vejo vocês correndo assim, eu penso: ‘Ai, parece que a pessoa está em paz.’ Está suando, parece que ela está numa paz, sabe? Parece que ela está deixando tudo de ruim. A corrida estava ajudando a extravasar, e isso é fantástico.
E se eu olhar para dentro de si mesmo, assim, essa necessidade aí para ir em frente...” (Marcella 1)
Mais de 60 pessoas participaram da atividade
De acordo com a organização, mais de 60 pessoas participaram da iniciativa, que foi encerrada com um treino coletivo e música ao vivo.
A organização destacou que a atividade também busca acompanhar o crescimento da corrida de rua em Tupanciretã e o papel que o esporte pode exercer na rotina das pessoas. A prática esportiva, aliada à convivência entre os grupos de corredores, tem contribuído para a formação de amizades, fortalecimento de vínculos e busca por qualidade de vida.
A proposta do “Não Corra Sozinho” reforçou justamente essa ideia: embora a corrida possa ser praticada individualmente, a caminhada pela vida também pode contar com a presença, a escuta e o apoio de outras pessoas.
Onde buscar ajuda
Em situações de sofrimento emocional ou quando houver preocupação com alguém, é possível buscar atendimento na Unidade Básica de Saúde (UBS), nos CAPS, em UPAs 24 horas, pronto-socorros e hospitais. O Ministério da Saúde também orienta que, em situações de urgência e emergência, o SAMU pode ser acionado pelo número 192, gratuitamente e 24 horas por dia.
O Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece apoio emocional pelo número 188, gratuitamente, em todo o território nacional, 24 horas por dia. O atendimento também pode ser realizado pelos canais disponíveis no site oficial da instituição.
CVV – 188
Atendimento gratuito, 24 horas por dia.
SAMU – 192
Para situações de urgência e emergência, inclusive tentativas de suicídio ou situações com risco imediato à vida.
UBS e CAPS
Podem ser procurados para acolhimento e acompanhamento em saúde mental pela rede pública de saúde.
Se houver risco imediato, procure um serviço de emergência ou acione o SAMU pelo 192.
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