Moradores e produtores do Assentamento São Domingos e região voltaram a manifestar preocupação com as condições das estradas do interior de Tupanciretã, especialmente neste período de colheita da soja. Em entrevista à Rádio Tupã, representantes da comunidade relataram dificuldades de acesso, problemas no transporte escolar e cobraram providências urgentes do poder público.
O coordenador do Assentamento São Domingos, Valdomiro Santos Maidana, destacou que a situação se arrasta há mais de um ano, mesmo após reuniões com autoridades:
"E o problema das estradas não foi resolvido.
A situação está intransitável. Não tem como tirar a soja, não tem como sair do assentamento. Do jeito que está, é só indo lá para ver a realidade.
Já faz mais de um ano que estamos participando de reuniões com o secretário, com o Márcio, e temos como comprovar isso. Nosso companheiro aqui presente sempre nos acompanhou nesses encontros. Mas, infelizmente, até agora nada foi solucionado.
Além das estradas, temos também o problema de uma ponte, na divisa com o assentamento Tarumã. Esse pessoal precisa se deslocar cerca de seis a sete quilômetros para conseguir entregar a produção em uma unidade. Muitos acabam levando a soja até a Agropan, e não é só o nosso assentamento que sofre — localidades como Vargem, Cachoeira e Aliança também enfrentam dificuldades.
É uma situação absurda.
O que mais revolta é que participamos das reuniões, conversamos, somos bem atendidos, mas nada sai do papel. Na última reunião, ainda com o prefeito em exercício, foi solicitado algo simples: cinco bueiros, que segundo ele mesmo, resolveriam o problema de um trecho da estrada. Disse que era algo barato e fácil de fazer. Até hoje, nada foi feito.
Na quarta-feira, fui recebido pelo prefeito, por volta das 11h30. Pedi apenas alguns minutos para conversar, e ele foi direto: disse que não vai fazer as estradas porque não há combustível.
Essa é a realidade que estamos enfrentando." (Valdomiro 1)
A situação também afeta diretamente o transporte escolar. Paloma Ferreira Cavalheiro, mãe de um aluno, relatou os riscos enfrentados diariamente pelas crianças:
"Olha, a situação é muito difícil. Hoje, nós já não temos mais a Kombi, e sinceramente, não sabemos nem se vamos ter transporte durante metade do ano.
A Kombi fazia o transporte todos os dias, enfrentando estrada ruim, passando por pontes… e quando chove, a situação piora ainda mais. A escola, muitas vezes, precisa liberar os alunos mais cedo, porque as pontes enchem e não tem como passar.
São duas pontes no trajeto. Uma até tem piso, mas a outra é um problema sério. A prefeitura esteve lá, isso já faz uns cinco anos, colocaram bueiros e jogaram terra por cima, prometeram que fariam o piso… mas nunca concluíram o serviço.
Hoje, essa ponte está danificada, os bueiros cederam, abriu um buraco, e as crianças passam por ali correndo risco todos os dias.
Além disso, tem um cerro que foi arrumado, mas não foi rebaixado como a gente havia pedido. Todo mundo conhece aquele ponto, e continua sendo um trecho complicado.
Então, o que a gente está fazendo aqui é um pedido de socorro.
Pedimos melhorias nas estradas e, pelo menos, que seja disponibilizado mais um transporte escolar, para ajudar o motorista que hoje faz esse trabalho praticamente sozinho.
Porque, do jeito que está, não tem ônibus que consiga trafegar nessas estradas." (Paloma 1)
O produtor rural Alaerte Herrmann reforçou o impacto direto na economia e na permanência das famílias no campo:
"A situação das estradas hoje é inviável.
Nós temos produção para escoar, temos trabalho sendo feito, mas não há condições de trafegar. Não passa nem um carro pequeno pelo outro. Então, como é que vamos passar com trator, colheitadeira, caminhão?
Chegou num ponto em que acabou a estrada e, junto com ela, a esperança.
Já faz mais de um ano que estamos correndo atrás, participando de reuniões, ouvindo promessas de que “na próxima semana” ou “no próximo mês” seria resolvido… e nada foi feito.
Agora estamos no início da colheita. Na próxima semana já começa, e a solução não veio.
A justificativa é a falta de diesel, mas o nosso pedido não é de agora — é de muito antes. E, na prática, o produtor também enfrenta isso: o diesel está caro, sim, mas a gente paga, porque se não pagar, perde a produção na lavoura.
Então a pergunta é: se tem diesel nos postos, mesmo caro, por que não buscar uma alternativa? O que precisamos é de um socorro imediato, pelo menos nos trechos mais críticos, onde hoje não passa um caminhão.
E isso impacta toda a economia. Essa produção gera impostos, e esses recursos ficam no próprio município, movimentando Tupanciretã.
Mas, do jeito que está, fica impossível.
Depois se fala em manter o agricultor no campo, em incentivar os jovens a permanecerem na atividade… mas como fazer isso sem condições mínimas de trabalho, como uma estrada decente?
Se continuar assim, o que vai acontecer é o produtor desistir, vender sua propriedade e vir para a cidade, sem perspectiva.
E ninguém quer que isso aconteça." (Alaerte 1)
Além das reivindicações, a comunidade também aproveitou o espaço para convidar a população para a festividade de 26 anos do Assentamento São Domingos Nova Esperança, reforçando o espírito de união mesmo diante das dificuldades enfrentadas.
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