Graziele de Camargo, coordenadora do SOSAgroRS, concedeu entrevista à Rádio Tupã para comentar a aprovação do Projeto de Lei nº 5122 no Senado Federal e os próximos passos da proposta, que agora retorna para análise da Câmara dos Deputados.
A coordenadora ressaltou que a aprovação no Senado foi recebida com entusiasmo pelo movimento, que acompanha as discussões relacionadas à renegociação das dívidas dos produtores rurais.
"Na última quarta-feira, recebemos a notícia com muita satisfação. Ficamos otimistas com a possibilidade de avançar na renegociação das dívidas dos produtores rurais e construir alternativas para que eles possam retomar o acesso ao crédito e continuar produzindo.
No entanto, hoje existe uma grande preocupação. O projeto foi aprovado no Senado, etapa que considerávamos a mais difícil até o momento, mas agora retorna para apreciação da Câmara dos Deputados. Nesse cenário, a Câmara enfrenta uma pauta trancada em razão de outras matérias que estão em discussão, o que gera incertezas quanto à tramitação e aos prazos.
Nossa preocupação aumenta porque estamos nos aproximando do início de julho, período em que novas operações de crédito devem ser implementadas, e ainda não sabemos de que forma os produtores conseguirão acessá-las, já que a questão do endividamento permanece sem uma solução definitiva.
Diante disso, estamos alinhando as ações que serão desenvolvidas nos próximos dias. Uma das primeiras medidas será combater a disseminação de informações equivocadas sobre o tema. Já circulam diversos discursos, notas e interpretações que, muitas vezes, não refletem a realidade da situação.
Temos observado que parte da imprensa vem classificando determinadas propostas como 'pautas-bomba', expressão que acaba gerando interpretações negativas junto à população. No entanto, quando falamos especificamente da renegociação das dívidas rurais, estamos tratando de um tema fundamental para a manutenção da atividade produtiva.
Se o produtor rural continuar sem acesso ao crédito e sem condições de reorganizar sua situação financeira, muitos poderão ter dificuldades para permanecer no campo e seguir produzindo. E os impactos dessa situação não ficam restritos ao setor agrícola.
Na prática, quem também poderá sentir as consequências é a população urbana. Afinal, quando a produção diminui, os reflexos chegam ao consumidor por meio da oferta de alimentos, dos preços e do impacto econômico em toda a cadeia produtiva.
Por isso, defendemos que o problema seja tratado com responsabilidade e sensibilidade, buscando soluções efetivas que garantam condições para que os produtores continuem trabalhando, produzindo e contribuindo para o desenvolvimento econômico e social do país." (Graziele 1)
Durante a entrevista, Graziele também destacou que, na avaliação do SOSAgroRS, não procede a informação de que a aprovação do projeto provocaria impactos diretos no orçamento destinado à população ou comprometeria recursos de outras áreas.
A coordenadora reforçou ainda a importância da mobilização dos produtores rurais neste momento de tramitação da proposta em Brasília. Segundo ela, o acompanhamento das informações oficiais é fundamental para evitar a disseminação de conteúdos incorretos e fortalecer a representação do setor.
Por fim, Graziele convidou os produtores a acompanharem os canais oficiais do SOSAgroRS nas redes sociais, buscando ampliar o engajamento e a participação nas ações promovidas pelo movimento em defesa da agricultura e da renegociação das dívidas rurais.
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