O médico e diretor clínico do Hospital de Caridade Brasilina Terra, Dr. Felipe Orso, concedeu entrevista à Rádio Tupã para explicar as medidas adotadas pela instituição diante do aumento de casos de síndromes gripais e doenças respiratórias no Estado.
Recentemente, o hospital emitiu comunicado reforçando medidas preventivas, como a orientação para que pessoas com sintomas gripais evitem visitas hospitalares. Segundo a instituição, pacientes internados apresentam maior vulnerabilidade, o que eleva o risco de contaminação cruzada no ambiente hospitalar.
O hospital também reforçou a obrigatoriedade do uso de máscaras em suas dependências.
Durante a entrevista, Dr. Felipe destacou o perfil dos pacientes internados e a preocupação da equipe médica com o cenário atual:
“O hospital recebe diariamente muitas pessoas internadas, principalmente pacientes debilitados.
Hoje, cerca de 80% a 90% dos pacientes internados têm mais de 70 anos. E, via de regra, são pessoas que possuem diversas comorbidades, né Miguel? Pacientes hipertensos, diabéticos, enfisematosos, usuários de oxigênio em casa, pessoas com doenças autoimunes, pacientes em tratamento contra o câncer, realizando quimioterapia e, consequentemente, com a imunidade mais baixa.
Além disso, nesta época do ano, também temos muitas crianças internadas, especialmente menores de cinco anos e, principalmente, menores de um ano de idade.
Justamente esses grupos são os que apresentam maior risco de desenvolver quadros graves durante surtos ou períodos de aumento dos casos de gripe e influenza.
Por todas essas características do momento atual, nós entendemos que é necessário proteger esses pacientes.
Por isso, medidas como o uso de máscaras e a diminuição do fluxo de pessoas dentro do hospital acabam sendo fundamentais.
Hoje, para você ter uma ideia, o hospital está registrando uma média de 130 a 140 atendimentos em 24 horas no plantão, e aproximadamente 95% das queixas estão relacionadas a doenças respiratórias.” (Felipe 1)
O médico também alertou que o vírus da Influenza pode permanecer ativo por até 48 horas em determinados ambientes, facilitando a transmissão por contato.
Apesar da alta procura por atendimento, Dr. Felipe acredita que o pico dos casos pode já ter passado, com possibilidade de redução no número de atendimentos nas próximas duas semanas.
Outro ponto destacado pelo diretor clínico foi a preocupação com os baixos índices de vacinação contra a gripe no município:
“A vacina é extremamente segura, amplamente testada e muito eficiente.
É importante esclarecer também que a vacina não impede totalmente que a pessoa tenha contato com o vírus ou até venha a se contaminar. O principal objetivo dela é proteger contra os casos graves da doença.
E isso é fundamental, porque no fim das contas é justamente o que nós queremos evitar: internações, complicações e agravamentos.
Ou seja, mesmo que a pessoa venha a desenvolver a gripe, a tendência é que não apresente aquele quadro mais intenso, com sintomas fortes e maior risco de evoluir para uma síndrome respiratória aguda grave.
Para quem está vacinado, as chances de desenvolver uma forma grave diminuem bastante.
Mas, infelizmente, pelo que temos acompanhado e pelos dados divulgados, as metas de vacinação ainda não estão sendo atingidas, e isso acaba sendo uma preocupação importante neste momento.” (Felipe 2)
O médico ainda orientou que pessoas jovens, com sintomas leves, permaneçam em casa para evitar a disseminação do vírus.
Sobre o uso do medicamento Tamiflu, Dr. Felipe alertou para os riscos da automedicação. Segundo ele, o antiviral é indicado principalmente para casos graves e o uso indiscriminado pode comprometer sua eficácia ao longo do tempo, especialmente devido às mutações do vírus influenza.
A entrevista completa sobre o tema está disponível nas plataformas digitais da Rádio Tupã.
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