O presidente do grupo Despertar do Amor Exigente, Nereu Ribas dos Santos, e o conselheiro Evandro Paz de Oliveira concederam entrevista à Rádio Tupã para falar sobre a atuação do grupo, que atende a comunidade todas as terças-feiras na Escola Flory Druck Kruel.
Durante a entrevista, Nereu destacou a importância do acolhimento e do apoio tanto aos dependentes químicos quanto às famílias:
“A gente trata o dependente químico como uma pessoa que precisa de atenção especial, porque ele enfrenta uma doença — uma doença química. Não tem cura, mas tem tratamento.
Assim como qualquer outra doença, muitas vezes envolve medicação, mas principalmente acompanhamento, prevenção e apoio.
E um ponto muito importante é o auxílio às famílias. Porque quando a família descobre que tem um dependente químico dentro de casa, muitas vezes perde o chão, não sabe como agir.
É nesse momento que entra o nosso trabalho: orientar, acolher e ajudar essas famílias a entenderem como lidar com essa situação dentro de casa.
Nós não somos profissionais da área da saúde, somos voluntários. Mas temos experiência, porque já acompanhamos muitos casos e muitas famílias ao longo do tempo — e isso nos dá uma base importante para ajudar quem está passando por isso agora.
Há 28 anos, no mesmo local, todas as terças-feiras, às 20 horas, a gente se reúne. É um grupo de apoio que atende tanto dependentes químicos quanto seus familiares.
E como você comentou, Miguelzinho, além da dependência química, também trabalhamos com a questão da compulsividade, oferecendo esse suporte de forma acolhedora e contínua.” (Nereu 1)
Nereu também relatou a percepção de aumento no número de dependentes químicos no município.
Evandro Paz de Oliveira compartilhou sua experiência pessoal com a recuperação:
“A aceitação é algo muito difícil pra gente… é difícil mesmo.
Eu recebi vários convites antes de participar do grupo, mas sempre dizia: ‘não, eu tô bem, eu me viro sozinho’. E a gente sabe que não é assim.
No meu caso, eu tive que chegar no fundo do poço pra conseguir aceitar que tinha perdido pra dependência química — no meu caso, o álcool.
Antes de ir para o grupo, eu precisei passar por um tratamento no hospital. Depois disso, comecei a frequentar o grupo… e, graças a Deus, hoje eu posso dizer: estou há 12 anos, 5 meses e 22 dias em recuperação.
E eu sempre digo: ‘só por hoje’. Porque a gente não sabe o dia de amanhã. É um dia de cada vez.
Também comecei a frequentar o CAPS, desde o início da minha recuperação. No começo, precisei de medicação, hoje já não — sigo apenas com acompanhamento, com conversas, que também fazem parte do tratamento.
E eu digo com toda certeza: foi fundamental. Primeiro, graças a Deus… e depois, com o apoio da família.
Se tem algo que eu me arrependo, não é de ter participado… é de não ter começado antes.
Porque eu vou te dizer: não é fácil… mas é possível.” (Evandro 1)
As reuniões do grupo acontecem todas as terças-feiras, à noite, a partir das 20h30, na Escola Flory Druck Kruel.
A entrevista completa está disponível nas plataformas digitais da Rádio Tupã.
Este site informa: usamos cookies para personalizar anúncios e melhorar a sua experiência no site. Ao continuar navegando, você concorda com a nossa política de privacidade..