A Rádio Tupã recebeu no estúdio representantes do CREAS e da OAB Subseção de Tupanciretã para tratar das ações do Maio Laranja e do Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, lembrado em 18 de maio.
Participaram da entrevista Elaine Barcelos, coordenadora do CREAS; Carla Chelotti, psicóloga do CREAS e coordenadora da escuta especializada; Lylian Campara Marques, advogada, delegada da ESA e coordenadora do programa OAB Vai à Escola; e Pâmela Dias da Rocha, mediadora judicial, advogada, presidente da Comissão da Mulher Advogada de Tupanciretã e também coordenadora do programa.
Abrindo a conversa, Elaine Barcelos destacou a parceria firmada neste ano entre o CREAS e a OAB:
“Neste ano, firmamos uma importante parceria com a OAB através do projeto ‘OAB Vai à Escola’.
Junto com a Secretaria de Desenvolvimento Social, o CREAS e toda a nossa equipe, estamos levando até as escolas do município — tanto da cidade quanto do interior — informações e orientações para crianças e adolescentes sobre temas fundamentais, especialmente relacionados à proteção, prevenção e conscientização.
O objetivo é levar conhecimento: explicar onde buscar ajuda, quais órgãos devem ser procurados e como agir diante de situações de abuso ou violência.
É justamente sobre isso que queremos conversar com a comunidade hoje: reforçar que tanto a OAB quanto o CREAS estão à disposição para acolher, ouvir e orientar crianças e adolescentes sempre que necessário.
As atividades deste ano já começaram. Ontem mesmo realizamos um atendimento junto ao grupo Corujinha, desenvolvido dentro da Secretaria em parceria com o CRAS.
Esse já é o segundo grande momento de trabalho conjunto com a OAB. No ano passado, tivemos uma parceria muito positiva durante o Agosto Lilás e, diante dos bons resultados, fortalecemos ainda mais esse vínculo.
Também realizamos ações como o Banco Vermelho, na praça, e outras atividades de conscientização.
Então, hoje podemos dizer que estamos construindo uma parceria muito forte com a OAB — uma união que vem dando certo e trazendo resultados importantes para a comunidade.” (Elaine 1)
Sobre o programa OAB Vai à Escola, Lylian Campara Marques explicou a trajetória e os objetivos do projeto:
“Esse é um programa de nível estadual que já vem sendo desenvolvido no nosso município há três anos.
Inicialmente, começamos o trabalho junto às escolas estaduais, abordando temas mais ligados aos direitos das crianças e também aos direitos e deveres das famílias em relação a essas questões.
Com o passar do tempo e conforme as demandas foram surgindo dentro das próprias escolas, passamos a tratar assuntos ainda mais ligados à realidade escolar, como bullying, violência, violência doméstica e outros temas sensíveis.
Neste ano, recebemos o convite do CREAS para formar um grupo de trabalho conjunto, que já vem atuando desde o mês passado.
A proposta é justamente unir diferentes profissionais e áreas de atuação para trabalhar temas que exigem um olhar mais amplo e multidisciplinar.
Então, nos unimos e estamos conseguindo desenvolver esse trabalho em conjunto de forma muito positiva.
No mês passado, por exemplo, realizamos ações sobre bullying em algumas escolas. A nossa meta é atender, em média, de três a quatro escolas por mês, buscando alcançar o maior número possível de instituições do município — tanto estaduais quanto municipais.
O objetivo é levar informação, conhecimento e orientação de uma forma técnica, mas também acessível e didática, para que os alunos e a comunidade consigam compreender esses assuntos com clareza.
Além disso, queremos abrir espaço para o diálogo, para perguntas, dúvidas e, em alguns casos, até para que crianças e adolescentes consigam relatar situações ou denúncias que precisam de atenção e acompanhamento.” (Lylian 1)
Pâmela Dias da Rocha ressaltou a importância de romper o silêncio sobre o tema e alertou para os números da violência sexual contra crianças e adolescentes:
“A exploração e o abuso sexual são temas muito delicados e ainda bastante velados culturalmente, né Miguelzinho? Existe uma grande dificuldade da sociedade em falar sobre isso.
Muitas vezes as pessoas pensam que esse tipo de situação acontece longe da nossa realidade, em outros lugares, com outras famílias. Mas não é assim.
E os dados mostram isso. Hoje, no Brasil, são registradas cerca de 150 notificações por dia relacionadas à violência sexual contra crianças e adolescentes. No Rio Grande do Sul, somente em 2024, já foram mais de 12 mil casos registrados.
Outro dado extremamente preocupante é que uma em cada cinco crianças sofre algum tipo de abuso sexual.
Ou seja, isso acontece em todas as classes sociais, em qualquer ambiente, com famílias pobres ou ricas. É uma realidade que precisa ser enfrentada.
Por isso, o nosso trabalho busca conscientizar e orientar as crianças de uma forma adequada à idade delas. Queremos que elas conheçam o próprio corpo, saibam identificar situações inadequadas e entendam limites.
É importante que a criança consiga reconhecer o que é um toque de cuidado e o que é um toque inadequado. Que ela saiba nomear as partes do corpo, compreender que existem partes íntimas e que ninguém pode tocá-las sem necessidade ou consentimento adequado.
O nosso principal objetivo é a conscientização.
Porque, muitas vezes, a própria criança não consegue identificar que está sofrendo abuso. E isso acontece porque, na maioria dos casos, o agressor é alguém próximo.
Os dados mostram que, em cerca de 67,9% dos casos, quem comete o abuso é um familiar ou alguém do convívio da criança — justamente alguém que deveria proteger, cuidar e oferecer segurança.” (Pâmela 1)
As entrevistadas destacaram que o principal objetivo das ações é ampliar o conhecimento da população e fortalecer a rede de proteção e acolhimento às vítimas.
Carla Chelotti explicou que o município também avançou na criação de um comitê de enfrentamento à violência contra crianças e adolescentes:
“Unimos diversos setores do município nesse trabalho: segurança pública, Secretaria de Saúde, assistência social, educação, Conselho Tutelar e também jovens representantes do Projeto Pescar, porque entendemos que a participação da juventude também é fundamental.
A partir disso, foi criado um comitê municipal. Inclusive, essa é uma orientação para que todos os municípios passem a organizar estruturas semelhantes.
E qual é o objetivo desse comitê?
Justamente pensar ações preventivas e políticas públicas voltadas à proteção de crianças e adolescentes.
Porque, além de realizarmos o trabalho de conscientização e prevenção, também precisamos estar organizados enquanto rede de atendimento, para saber como agir quando uma situação realmente acontecer.
Aproveitando a oportunidade, esse comitê já avançou bastante: foi criada uma portaria oficializando os integrantes e também foi desenvolvida uma ficha de atendimento e encaminhamento.
Essa ficha será compartilhada entre todos os serviços do município.
A ideia é facilitar o acolhimento e o encaminhamento correto quando surgir uma situação de suspeita ou relato.
Por exemplo: uma criança pode se sentir segura dentro da escola e fazer um relato espontâneo em sala de aula. Ou então algum serviço da comunidade pode receber uma informação ou identificar sinais de violência.
Então, a partir dessa organização da rede, todos os setores conseguem agir de forma integrada, mais rápida, segura e humanizada, garantindo proteção e acompanhamento adequado para essa criança ou adolescente.” (Carla 1)
A entrevista completa sobre o tema e sobre o comitê municipal está disponível nas plataformas digitais da Rádio Tupã.
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