O cooperativismo brasileiro vive um momento de transformação silenciosa, mas profunda, marcado pela crescente presença feminina em cargos de liderança. Dados do Anuário do Cooperativismo Brasileiro 2025, elaborado pelo Sistema OCB, apontam que as mulheres já representam 52% dos empregos gerados pelas cooperativas e 42% do quadro de cooperados no país.
Entre os exemplos desse avanço está a tupanciretanense Dra. Margot Virginia Silveira de Souza, atual presidente do Conselho de Administração da Coopnore Unicred, instituição financeira cooperativa voltada ao atendimento de notários e registradores em todo o Brasil.
Em entrevista à Rádio Tupã, Margot explicou como funciona a cooperativa e sua atuação dentro do Sistema Unicred.
“Ela está consolidada dentro de um sistema maior, que é o Sistema Unicred, bastante conhecido no cooperativismo de crédito, especialmente por ter origem na área médica.
Antes de responder diretamente, é importante contextualizar. Hoje, ela é a segunda cooperativa segmentada dentro do Sistema Unicred no Brasil. Nós temos a Cooperativa Noroeste e também a Coomarca.
A Coomarca foi criada em Santa Catarina e iniciou suas atividades voltada principalmente para o sistema judiciário. Com o tempo, ampliou sua atuação e hoje também atende outros segmentos do funcionalismo público.
Aproveito inclusive para fazer uma pequena divulgação: pessoas que atuam no Poder Judiciário podem buscar informações e se associar. Trata-se de uma cooperativa segmentada e voltada ao público ligado ao sistema judicial.
Mas quem faz parte desse sistema? São, por exemplo, titulares de cartórios, e sabemos que em cada município geralmente existem duas ou três serventias. Também podem participar familiares desses profissionais e empresas que prestam serviços para os cartórios.
Um exemplo é uma empresa de sistemas que desenvolve tecnologia voltada ao segmento judicial. Se ela presta serviços para essa área, também pode ingressar na cooperativa.
Ou seja, é um modelo de cooperativa voltado especificamente para quem atua ou possui vínculo com o setor judicial e cartorário, dentro da estrutura do Sistema Unicred.” (Margot 1)
Durante a entrevista, Margot também destacou a importância do trabalho desenvolvido pelos notários e registradores para a organização jurídica do país.
“Quando falamos do interesse em prol desse segmento, é importante destacar que a classe registral e notarial no Brasil é uma categoria sólida. Basta observar as pesquisas e estudos que mostram a relevância desse setor.
Os cartórios fazem parte de um arcabouço de transparência e organização jurídica. Muitas vezes as pessoas associam esse sistema à burocracia, mas eu não vejo dessa forma. Pelo contrário, entendo que ele é um importante mecanismo de organização da vida das famílias, das pessoas e dos negócios jurídicos.
O trabalho realizado pelos cartórios entrega à sociedade algo fundamental: segurança jurídica.
Inclusive, vários países já vieram ao Brasil conhecer o nosso sistema registral. Nações da Europa e também de outras regiões do mundo demonstraram interesse em entender como funciona esse modelo brasileiro, justamente pela sua eficiência.
Recentemente, por exemplo, vimos uma notícia envolvendo os Estados Unidos, onde foi apontada a existência de pessoas com mais de 140 anos ainda recebendo aposentadoria ou pensão, o que indicaria possíveis distorções no sistema.
Claro que os Estados Unidos são um país muito organizado em vários aspectos, mas nesse ponto específico surgem algumas fragilidades.
Quando ouvi essa notícia, pensei: se lá existisse um sistema registral estruturado como o brasileiro, provavelmente esse tipo de situação não aconteceria.
No Brasil também podem ocorrer falhas ou distorções, mas o sistema funciona de forma bastante integrada. Quando ocorre um registro de nascimento, casamento ou óbito, essa informação rapidamente passa a integrar os sistemas públicos.
Muitas vezes, o registro é feito pela manhã e, ainda no mesmo dia, à tarde, essa informação já está sendo compartilhada com diversos órgãos públicos, contribuindo para a organização e o controle das informações no país.” (Margot 2)
O exemplo da Coopnore Unicred acompanha uma tendência nacional. O cooperativismo brasileiro reúne atualmente 25,8 milhões de cooperados e mais de 578 mil empregos diretos, consolidando-se como um dos modelos econômicos que mais crescem no país.
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